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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Designer Instrucional


O papel pedagógico do DI na elaboração de cursos virtuais

Benedita Aparecida de Barros

O Designer Instrucional (DI) de cursos virtuais de EaD  tem a importante responsabilidade de desempenhar o seu papel pedagógico ao planejar um curso, pois,  a finalidade é sempre a de promover a aprendizagem dos participantes em relação aos conteúdos propostos.
Para que o curso tenha sucesso, o planejamento do DI deve ser cuidadoso, a partir da análise dos elementos diagnósticos de que dispõem como tema, objetivos, carga horária, plataforma web, perfil do público alvo, recursos financeiros, entre outros.
 A partir desses dados será necessário que as aulas sejam pensadas de forma a atender aos diversos estilos de aprendizagem categorizados por Richard M. Felder (2003), considerando que cada indivíduo apresenta uma maneira própria de aprender e que essas características de aprendizagem devem se refletir no ensino, ou seja, nas ações didáticas do curso visando um bom aprendizado (FRANCO; BRAGA; RODRIGUES, 2009).
Nesse sentido, deve-se considerar que na atualidade, o acúmulo de informações e a rapidez com que são disseminadas, exigem também que as pessoas desenvolvam autonomia no seu aprendizado – o “aprender a aprender” conforme apontado por Franco, Braga e Rodrigues (2010):

“Como seres distintos que somos, não podendo deixar de lado as nossas diferenças, devemos procurar conhecer as variações no processo de aprendizagem para melhorar nosso desempenho como alunos, já que num mundo de constantes e rápidas mudanças, aprender ao longo da vida e com autonomia tornou-se uma necessidade.”

Outro aspecto a ser conhecido e aplicado pelo DI em seus planos de cursos é o que se refere às teorias de aprendizagem. Uma das teorias mais aceitas no meio educacional é a teoria sócio-interacionista de Vigotsky, a qual prega que o conhecimento se estabelece na interação do indivíduo com o meio, mediada pela linguagem, sendo que “os sistemas de representação da realidade – e a linguagem é o sistema simbólico básico de  todos os grupos humanos – são, portanto, socialmente dados ” (OLIVEIRA, 2009, p.38).
Em cursos virtuais, mais do que nos presenciais, o planejamento requer especial atenção às estratégias e recursos de ensino a fim de possibilitar na prática que sejam atendidos a esses pressupostos pedagógicos acima apontados, para tanto o DI dispõem de uma gama de ferramentas interativas e mídias virtuais que devem ser utilizadas com intencionalidade e adequadas aos conteúdos do curso, de forma a potencializar as possibilidades de aprendizado dos alunos.


Referências

FRANCO, L.R.H. R.; BRAGA, Dilma Bustamante; RODRIGUES, Alessandra.  EaD Virtual: entre a teoria e a prática. Ed. Premier; UNIFEI, 2010.

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vigotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio histórico. São Paulo: Scipione, 2009.









                                                                                                                 

A INCORPORAÇÃO DOS CONHECIMENTOS TECNOLÓGICOS NOS PROGRAMAS ESCOLARES



Vivemos  imersos num mar de objetos tecnológicos, porém, sua presença na vida das pessoas não significa que eles façam parte de sua cultura. Vê-los e usá-los não significa compreender a ciência e a tecnologia envolvida em sua fabricação e funcionamento.
Introduzir os conhecimentos tecnológicos nos currículos escolares é fundamental para possibilitar ao aluno uma formação que lhe permita refletir sobre a tecnologia de modo a compreender não apenas o seu funcionamento, mas, o seu contexto de produção e as implicações sociais, econômicas e ambientais de sua utilização.
O ensino da tecnologia numa perspectiva de construção de competências deve ser estruturado no saber fazer,isto é, deve abrir espaço para a investigação-ação nas aulas, fazendo destas um processo contínuo de estudo, comunicação e investigação.
Nesse sentido, ensinar tecnologia se alicerça mais no método do que no conteúdo. Desafiados por situações – problema, os alunos poderão refletir, experimentar e agir a partir dos conhecimentos científicos e tecnológicos. Trata-se de desvendar o conteúdo da “caixa preta” que representa a tecnologia. Por exemplo, quão intrigante seria o problema “como uma lombada eletrônica mede a velocidade de um carro?” ou “de que forma podemos 'enxergar' os órgãos do nosso corpo” ou ainda, “como recebemos uma chamada em nosso telefone celular?”
 Dessa forma os alunos serão mobilizados a construir competências para a resolução do problema, a partir de procedimentos  de investigação que exijam a sua participação ativa, como: pesquisa, organização de dados, experimentação, construção de modelos, entre outros.
O que dizem os documentos oficiais
A educação tecnológica básica é uma das diretrizes que a LDB estabelece para orientar o currículo do Ensino Médio. A lei ainda associa a “compreensão dos fundamentos científicos dos processos produtivos” com o relacionamento entre teoria e prática em cada disciplina do currículo. E insiste quando detalha, entre as competências que o aluno deve demonstrar ao final da educação básica, o “domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna”. 
A tecnologia comparece, portanto, no currículo da educação básica com duas acepções complementares: a) como educação tecnológica básica; b) como compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos da produção. A primeira acepção refere-se à alfabetização tecnológica, que inclui aprender a lidar com computadores, mas vai além. Alfabetizar-se tecnologicamente é entender as tecnologias da história humana como elementos da cultura, como parte das práticas sociais, culturais e produtivas, que por sua vez são inseparáveis dos conhecimentos científicos, artísticos e linguísticos que as fundamentam. A educação tecnológica básica tem o sentido de nos preparar para viver e conviver em um mundo no qual a tecnologia está cada vez mais presente: no qual a tarja magnética, o celular, o código de barras e muitos recursos digitais se incorporam velozmente à vida das pessoas, qualquer que seja a sua condição socioeconômica. 
A segunda acepção, ou seja, a compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos da produção faz da tecnologia a chave para relacionar o currículo ao mundo da produção de bens e serviços, ou seja, aos processos pelos quais a humanidade – e cada um de nós – produz os bens e serviços de que necessita para viver. Foi para manter-se fiel ao espírito da lei que as DCN introduziram a tecnologia em todas as áreas, tanto das DCN como dos PCN para o Ensino Médio, evitando a existência de disciplinas “tecnológicas” isoladas e separadas dos conhecimentos que lhe servem de fundamento.
A tecnologia e o Ensino de Ciências
As atenções da educação estão hoje basicamente voltadas para a idéia de cidadania e para a formação de professores com novos perfis profissionais, mestres em condições de trabalhar com uma visão interdisciplinar da ciência, própria das múltiplas formas de se conhecer e intervir na sociedade hoje.

 Neste sentido, as propostas mais adequadas para um ensino de Ciências coerente com tal direcionamento devem favorecer uma aprendizagem comprometida com as dimensões sociais, políticas e econômicas que permeiam as relações entre ciência, tecnologia e sociedade. Trata-se, assim, de orientar o ensino de Ciências para uma reflexão mais crítica acerca dos processos de produção do conhecimento científico-tecnológico e de suas implicações na sociedade e na qualidade de vida de cada cidadão. É preciso preparar os cidadãos para que sejam capazes de participar, de alguma maneira, das decisões que se tomam nesse campo, já que, em geral, são disposições que, mais cedo ou mais tarde, terminam por afetar a vida de todos. Essa participação deverá ter como base o conhecimento científico adquirido na escola e a análise pertinente das informações recebidas sobre os avanços da ciência e da tecnologia. 
O ensino de qualidade que a sociedade demanda atualmente expressa-se aqui como a possibilidade de o sistema educacional vir a propor uma prática educativa adequada às necessidades sociais, políticas, econômicas e culturais da realidade brasileira, que considere os interesses e as motivações dos alunos e garanta as aprendizagens essenciais para a formação de cidadãos autônomos, críticos e participativos, capazes de atuar com competência, dignidade e responsabilidade na sociedade em que vivem. (PCNs (1997).

Referências
São Paulo. Secretaria de Estado da Educação. Proposta Curricular do Estado de São Paulo. Disponível em: http://www.educacao.sp.gov.br/. Acesso em: 20/05/2012
Santos, Paulo Roberto.  O Ensino de Ciências e a Ideia de Cidadania. Disponível em: http://www.hottopos.com/mirand17/prsantos.htm. Acesso em: 22/05/2012

Souza, Carlos Alberto; Purificação de Bastos, Fábio da; Peres Angotti, José André. Cultura Científico-Tecnológica na Educação Básica. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências, vol. 9, núm. 1, 2007, pp. 1-13. Disponível em: http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/1295/129516644006.pdf. Acesso em: 19/05/2012

SABERES DA TECNOLOGIA NA ESCOLA
  (criado por Benedita Aparecida de Barros em terça, 5 junho 2012, 20:07 )
Transgênicos
O tema transgênico pode ser bastante interessante, e dos temas relevantes, quando falamos em alimentação, falamos do ser humano em qualquer fase de sua vida, portanto acredito ser de grande importância que o aluno esteja atualizado quanto à informações, bem como ter pensamento e atitude críticas a frente deste assunto.
Para especificá-lo, poderíamos inicialmente, dar aos alunos noções de como pensam os que são favoráveis e contrários ao uso dos transgênicos - através de textos e vídeos, facilmente encontrados. Depois trabalhar os diversos aspectos de desenvolvimento tecnológico aplicados aos transgênicos e as culturas transgênicas já realizadas no Brasil - onde estão localizadas, relevância econômica e ambiental, procurando saber também a visão do agricultor, parte fundamental do problema.
O professor deveria se mostrar neutro neste momento, já que os alunos, nesta fase (e em outras), levam muito em conta o que pensamos tendo a tendência de nos "copiar" neste sentido.
Depois dessa etapa, propor debates dos contra e a favor e o porquê chegaram a essa conclusão, deixando claro que, é um tema que precisa ainda de muita pesquisa e esclarecimento e que deve fazer parte de seu presente e futuro e que o aluno deverá acompanhar os avanços e "certezas" que as pesquisas e o tempo trarão.
Radiações
O tema "Radiações" tem um grande potencial para o ensino de Ciências, dentro da perspectiva CTSA. O material didático Projeto Escola e Cidadania, da Editora do Brasil, em seu módulo "A física ajuda a salvar vidas" traz uma excelente abordagem sobre o tema, trazendo os conceitos científicos, a utilização desses conceitos em equipamentos usados na medicina diagnóstica e em tratamentos de saúde e também considera os males que podem ser causados pelas radiações, em uma sequência didática que possibilita aprendizagens significativas.
Esse tema está presente no currículo de Ciências, sendo tratado, de forma muito simples e contextualizada nas situações de aprendizagem do material de apoio da Secretaria de Educação de São Paulo - Caderno do Aluno da 8ª série/9º ano.
O ensino sobre radiações desmitifica a ideia de que todas as radiações são prejudiciais quando apresenta os seus usos e coloca a luz e as ondas eletromagnéticas emitidas pelos telefones celulares dentro do mesmo estudo.
 Referências
PINTO, A.C.; LEITE, C.; SILVA, J.A.. A Física Ajuda a Salvar Vidas. Projeto Escola e Cidadania, São Paulo: Editora do Brasil, 2000.
TAKAHASHI, J.A.; MARTINS, P.F.F.; QUADROS, A.L.. Questões tecnológicas permeando o ensino de química: o caso dos transgênicos. Química Nova na Escola, nº 29, agosto de 2008.

EXEMPLO DE ATIVIDADE
A biotecnologia em nosso cotidiano
  (criado por Alessandra dos Santos em segunda, 18 junho 2012, 23:49 )
Público alvo: 8º e 9º ano
Situação problema:
A Biotecnologia influencia cada vez mais a sociedade atual, quer pela sua utilização na saúde, na produção de alimentos e na proteção do ambiente, quer por suas implicações econômicas, éticas, sociais que as suas aplicações acarretam.
O ensino da Biotecnologia se reveste de grande importância e assume um caráter de urgência face às situações polêmicas discutidas pela sociedade, que envolve várias das aplicações da Biotecnologia. Fica a certeza de que é necessário difundir a Biotecnologia nas escolas para, assim, fornecer a base para formação de alunos mais críticos e formadores de opinião.
Sensibilização:
Vídeo Cidades e Soluções Especial: Transgênicos
Após assistir o vídeo os alunos responderão as seguintes questões:
- O que é a biotecnologia?
- De que forma a biotecnologia influencia em sua vida?
- Que relação a entre biotecnologia e os transgênicos?
- O que são os transgênicos?
- Cite alguns benefícios dos transgênicos.
- Cite alguns pontos negativos dos transgênicos.
Produto:
Debate sobre as polêmicas dos transgênicos: benefícios e os riscos dos transgênicos.

www.infoescola.com › Biologia


CONCLUSÃO

A tecnologia tem um corpo de conhecimento próprio e não é apenas um apêndice das Ciências. A distinção entre ciência, ciência aplicada, técnica e tecnologia são fundamentais para delimitar o campo de estudo de cada uma dessas áreas e ampliar as possibilidades de definição do quê ensinar em tecnologia. Os conteúdos de tecnologia não devem ser confundidos simplesmente com o uso de recursos tecnológicos no ensino e sim, definidos em termos dos conhecimentos científicos que determinam o funcionamento dos aparatos tecnológicos, suas formas de produção, seus usos e o contexto histórico em que foram produzidos com as devidas implicações socioeconômicas e ambientais.

Os conteúdos de tecnologia, assim como os da ciência, precisam de um contexto significativo, para o que, o ambiente e a sociedade são o cenário ideal, pois, permitem a investigação de problemas relacionados com a tecnologia numa perspectiva crítica.

Sobre como ensinar tecnologia, pode-se dizer que o procedimento metodológico que permite uma melhor abordagem dos seus conteúdos é a metodologia de projetos, através da qual os alunos serão mobilizados a construir competências para a resolução de problemas a partir de procedimentos de investigação que lhes possibilitem refletir, experimentar e agir.

Cabe ao professor planejar cuidadosamente as situações de aprendizagem ligadas aos conteúdos de tecnologia, aproveitando ao máximo todas as possibilidades de inserção desta no currículo de Ciências.

Enfim, a informática e as tecnologias, em geral, vêm transformando a vida humana ao possibilitar novas formas de pensar, trabalhar, viver e conviver no mundo atual. Considerando que estamos cercados pelas tecnologias e pelas mudanças que elas acarretam no mundo, precisamos pensar em uma escola que forme indivíduos capazes de lidar com o avanço tecnológico, participando dele e de suas consequências. Essa capacidade se forja não só por meio do conhecimento das tecnologias existentes, mas também, e talvez principalmente, pelo contato com elas e da análise crítica de sua utilização e de suas linguagens.




quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sobre a Avaliação Dialógica

A palavra dialógica tem sua origem na palavra diálogo, então, pensar em avaliação dialógica supõe que haja um diálogo entre a percepção do professor sobre o que o aluno aprendeu e a percepção do aluno sobre a sua própria aprendizagem e além disso uma congruência entre essas duas percepções.

Para que isso seja possível na escola, é necessário uma mudança do foco do professor do ensino para a aprendizagem, o que requer uma constante reflexão por parte deste sobre o que acontece em sala de aula, a partir de uma clareza dos objetivos que pretende atingir, isto é, um entendimento da intencionalidade da sua prática educativa, evidenciada em cada ação em sala de aula, e, também, requer do aluno um amadurecimento no sentido de gerenciar o seu próprio aprendizado, o que é entendido como metacognição.

Na prática, a avaliação dialógica será possível em situações em que haja uma estrutura de suporte, como, número reduzido de alunos em sala e carga horária da disciplina suficiente para tal fazer, além, é claro, da compreensão desse processo por professores e alunos, para que seja quebrado o paradigma da avaliação classificatória, que, como diz Luchesi, é apenas verificação e não avaliação.

domingo, 17 de junho de 2012

Nós no universo e o universo em nós


No ensino de Astronomia, são inúmeros os obstáculos cognitivos que os alunos apresentam: as suas concepções intuitivas, as observações diretas, as distâncias astronômicas, os modelos e imagens sem escala conflitam com o conhecimento científico que se pretende construir.

A percepção do universo infinito e da nossa localização nessa imensidão requer um trabalho a partir de sucessivas aproximações afim de permitir a abstração necessária para essa compreensão, isto é, o sentido deve ser do visível para o imaginável: da Terra para o céu observável, a compreensão dos objetos celestes, o sistema Terra-Lua, o sistema Terra-Lua-Sol, o sistema Solar, as constelações,  a Via-láctea, as demais galáxias até o infinito, ou seja, um "zoom" gradativo ilustrado por recursos que vão além do texto verbal e das imagens bidimensionais. 

Nesse sentido, os professores necessitam fazer uso das possibilidades oferecidas pelas tecnologias contemporâneas: vídeos, simuladores virtuais, telescópios, bem como dar um enfoque à Astronomia dentro de uma perspectiva histórica  que possibilite ao aluno compreender de que forma a humanidade pode evoluir no conhecimento sobre o universo e percebendo os limites de suas concepções afim de promover a sua própria evolução conceitual.

sábado, 21 de abril de 2012

O QUE É TECNOLOGIA



 A palavra tecnologia sugere objetos. Coisas complexas e feitas de átomos. Locomotivas a vapor, telefones, computadores, substâncias químicas e chips de silício. Quando esse mundo de coisas começou a surgir, séculos atrás, encaramos o fenômeno como uma revolução material, embora todas as mudanças que trazia fossem, na verdade, causadas pelo desenvolvimento da capacidade de utilizar a energia de forma orientada. A magia do material estava no fato de conseguir conservar, transmitir ou exibir energia em pequenas quantidades no momento certo (sinais) ou em explosões sob demanda (quantidade de calor).
Esses objetos perderam recentemente parte de sua massa. Começamos a enxergá-los como ação. Hoje, o termo tecnologia sugere softwares, engenharia genética, realidade virtual, banda larga, formas de vigilância e inteligência artificial. Se uma dessas coisas caísse no seu pé, você não machucaria o dedão. A tecnologia tornou-se uma força. É um verbo, não mais um substantivo. Sua ação mostrou-se tão forte que, agora, percebemos a tecnologia como um superpoder e também como algo que sempre leva a culpa quando uma coisa dá errado. Na realidade, a tecnologia é matéria, é força e é muito mais. É tudo o que criamos: literatura, pintura, música. Bibliotecas são tecnologias. Como também o são os registros contábeis, a legislação civil, os calendários, as instituições, todas as ciências, bem como o arado, as roupas, os sistemas de saneamento, os exames médicos, os nomes de pessoas e o alfinete de segurança. Tudo o que nossa inteligência produz pode ser considerado tecnologia.
Parece estranho que um soneto de Shakespeare ou uma fuga de Bach sejam colocados no mesmo plano de coisas como a bomba nuclear ou o walkman? Mas, se 1 000 linhas de letras são uma tecnologia (como o código de uma página HTML, usado para veicular textos e imagens na internet), então,1 000 linhas de letras em inglês (Hamlet) também devem ser. Não é possível separar o que é tecnologia tanto no livro como no filme O Senhor dos Anéis. A versão literária do romance original é tão tecnológica, no sentido estrito da palavra, quanto a versão digital das criaturas e dos lugares fantásticos expostos na tela. Ambas são obras da imaginação humana. Ambas afetam o público de forma poderosa.
A tecnologia, portanto, pode ser considerada um tipo de pensamento – um pensamento expresso. Seria possível encarar o elaborado sistema legislativo que norteia as sociedades ocidentais como uma variedade de software. Trata-se de um código, um conjunto complexo de regras, mas que funciona com suporte no papel, não em um computador. Tanto o código do sistema legislativo quanto o de um software são manifestações do pensamento humano.
Muitas pessoas se perguntam como a tecnologia pode tornar o homem melhor. Simples: da mesma maneira que a tecnologia das leis torna os homens melhores. Um sistema legal nos mantém responsáveis, estimula o senso de justiça, contém impulsos indesejados, alimenta a confiança, e assim por diante. Há, contudo, leis boas e más, e alguns sistemas legislativos (tecnologias legais) são melhores do que outros. A resposta correta a uma má legislação não é ausência de legislação. É, sim, uma legislação melhor. A resposta correta a uma ideia ruim não é parar de pensar. É uma ideia melhor. A resposta correta a uma tecnologia ruim não é parar a tecnologia. É uma tecnologia melhor. Pelos meus cálculos, a soma total das tecnologias é igual à civilização. Civilização é tecnologia. Tecnologia é a obra cumulativa agregada da imaginação e da invenção humanas.
Mas qual é a contribuição que a tecnologia realmente nos dá? O avanço proporcionado por ela nem sempre é evidente e perceptível. Todo pensamento pode ser subvertido. Nesse sentido, toda tecnologia pode ser vítima de abusos. Além do mais, todas as soluções que a tecnologia oferece trazem também novos problemas. Mas é preciso observar que, em última instância, a tecnologia amplia as nossas possibilidades de escolha. Em geral, uma tecnologia apresenta aos seres humanos outra maneira de pensar sobre algo. Cada invenção permite outra forma de ver a vida. Cada ferramenta, material ou mídia adicional que inventamos oferece à humanidade uma nova maneira de expressar nossos sentimentos e outra forma de testar a verdade. À medida que novas maneiras de expressar a condição humana são criadas, amplia-se o conjunto de pessoas que podem encontrar seu lugar único no mundo.
A tecnologia nos proporciona escolhas. Assim, sua principal contribuição está expressa nas possibilidades, nas oportunidades e na diversidade de ideias. Sem ela, temos muito pouco disso. Nosso trabalho coletivo é substituir tecnologias que limitam nosso poder de escolha por aquelas que o ampliam. O telefone, por exemplo, é uma tecnologia que amplia continuamente as oportunidades – e fecha muito poucas. O DDT (composição química usada como inseticida) é uma tecnologia que abre importantes possibilidades, mas restringe algumas outras. A engenharia genética inaugura um vasto terreno de escolhas, mas seu potencial para restringir muitas outras é amplo e incerto.
A tecnologia pode tornar uma pessoa melhor? Sim, mas somente se oferecer a ela novas oportunidades. Oportunidade de obter excelência com a mistura única de talentos com que nasceu. Oportunidade de encontrar novas ideias e novas mentes. Oportunidade de ser diferente de seus pais. Oportunidade de criar algo. Serei o primeiro a acrescentar que, isoladas – sem nada em torno delas –, essas oportunidades são insuficientes para produzir a felicidade. A escolha funciona melhor quando há valores para guiá-la. De qualquer forma, considero que a tecnologia é necessária para o aprimoramento humano, da mesma maneira que a civilização. O mundo da tecnologia e a civilização são a mesma coisa.
Um subconjunto especial de seres humanos pensa de forma diferente. Avista o caminho para o aprimoramento no conjunto limitado de opções existente, digamos na cela de um mosteiro, na caverna de um ermitão ou nas possibilidades deliberadamente restritas de um guru errante. Mas a maioria das pessoas, em quase todos os momentos na história, vê o estoque acumulado de possibilidades em uma civilização como algo que as torna melhores. É por essa razão que fundamos a civilização/tecnologia. É por essa razão que temos cidades e bibliotecas. Elas produzem escolhas. Essa é a grande contribuição da tecnologia: abrir possibilidades – em montanhas sempre maiores de diversidade. Como a própria vida biológica (apesar de seus muitos horrores), acredito que a criação de novas possibilidades representa um bem inequívoco para todos nós.

 Sobre o autor:
 Kevin Kelly, um dos fundadores da revista Wired, escreveu vários livros sobre tecnologia, entre eles “Novas Regras para uma Nova Economia”, publicado em português. Este ensaio foi publicado originalmente em seu blog para discussão pública antes de aparecer em forma de livro.


UNIVERSO, CIÊNCIA E EMOÇÃO



Quando eu era bem jovem, alguém me disse ou li em algum lugar que o universo era infinito! Passei a imaginar como alguma coisa poderia ser infinita, pois, sempre tive uma mente “exata” a partir da qual pensava que todas as coisas poderiam ser dimensionadas, como eram as coisas aqui da Terra. Infinito para mim era uma sensação!  Ou um artifício da matemática: os números eram infinitos, mas, isso era fácil de compreender, bastava ir colocando zeros até não caber mais no papel e completar com reticências ou representar pelo “oito deitado”, mas, universo infinito? Como poderia alguma coisa nunca ter fim? E se não tinha fim, onde se apoiava? Não, não, se era infinito então abrangia tudo o que existe, até Deus! Ou será que Deus era o universo, afinal aprendi também que Deus não teve princípio e não teria fim ...
Esse conhecimento foi de longe o mais marcante e intrigante da minha vida e  me levou a sentimentos extremos de surpresa, alegria, medo, dúvida, angústia e,  a  tentativa de elaborar uma representação do universo que me levasse a  sua compreensão me dava (e ainda dá) “um nó na cabeça” e um “frio na barriga”, pois, não levou muito tempo para que eu associasse a imensidão do universo à minha pequenez  e, a sua eternidade à minha transitoriedade!
Mais tarde, aprendi que o universo surgiu de um ponto que concentrava toda a matéria (ou toda a energia) que existe hoje! Outro mistério intrigante! Como poderia haver um ponto com tudo dentro, imerso no nada!?! E o que era o nada? O contrário de infinito?
A minha experiência pessoal revela o nível de abstração necessário para a compreensão dos conceitos de astronomia. Ao tratarmos esse tema com nossos alunos será necessário um cuidado no sentido de deslocá-los da Terra em direção ao cosmos, numa perspectiva que transcende a materialidade física de tempo e espaço ( a estrela que vemos hoje pode ter morrido há algum tempo) . Essa compreensão do universo deve ampliar a visão de mundo do aluno, dimensionando a sua condição terrena dentro do universo e dando-lhe possibilidades de melhor entendimento sobre o ambiente terrestre e suas responsabilidades com o planeta.
Enfim, aprender astronomia exige além do conhecimento científico, um componente psíquico que leve a uma ampliação da consciência, a partir da percepção da integração do eu com o universo, ou seja, de senso cosmológico.

Referências:
 MEDEIROS, L. A. L. Cosmoeducação: uma abordagem trandisciplinar no ensino de astronomia. (Dissertação) UFRN: Natal, 2006. pp. 30-37
 MEDEIROS, L. A. L. Cosmoeducação: uma abordagem transdisciplinar no ensino de astronomia. (Dissertação ) UFRN: Natal, 2006. pp. 85-94

quarta-feira, 7 de março de 2012

POBREZA e SUJEIRA: UMA CONDIÇÃO INDISSOCIÁVEL ?


A expressão “sou pobre, mas, sou limpinho” alude a uma situação que, infelizmente, reproduz uma realidade brasileira: a da pobreza aliada à sujeira.
No meu entender não se trata de uma generalização como “todo pobre é sujo” ou “todo sujo é pobre”, a legitimação de um estereótipo, mas, de uma indubitável associação entre pobreza e sujeira. Ora, para se manter condições mínimas de higiene é fundamental o acesso à moradia, água, saneamento básico, roupas, a obtenção de produtos de higiene e limpeza. Ainda assim, em que pese o determinante econômico, temos que considerar também o aspecto cultural. Hábitos de higiene são desenvolvidos a partir do aprendizado, da compreensão da importância da higiene para a saúde, do exemplo. A falta de acesso à educação irá contribuir para perpetuar essa situação, alijando pessoas de seu direito à saúde e à cidadania.
Mas, não basta só o acesso à educação. É necessário que essa educação de fato concorra para uma inserção social dos menos favorecidos, dando-lhes ferramentas para promover mudanças significativas em sua vida.
A responsabilidade certamente não é só da escola. Há a necessidade de políticas públicas adequadas que deem conta de alterar essa situação de pobreza em que vive um enorme contingente da nossa população, mas, não podemos nos eximir da parte que nos cabe enquanto educadores. É a escola o lugar onde existe a maior concentração de crianças, adolescentes e jovens, que chegam a ela carregados de conceitos, valores e atitudes trazidos de sua vivência doméstica. Cabe-nos, no caso dos cuidados com a higiene pessoal e saúde, mais do que informar, provocar mudanças de atitudes e valores e, para tanto, é necessário que o espaço escolar seja impregnado de exemplos: limpeza das dependências, merenda escolar adequada, atitudes dos funcionários e professores, além do trabalho sistematizado com as informações, nas aulas, para que estas se transformem em conhecimento a ser incorporado no cotidiano dos alunos.
Enfim, na escola, a relação pobreza - sujeira deve ser encarada como um estado transitório e não como uma condição permanente, como nos aponta Neves, et al (2005): “o Jeca não é assim: está assim”.


Referências:

BARBOZA, Emilio Darlan Almeida e outros.  A importância da educação em saúde na melhoria dos hábitos de higiene e no combate às parasitoses.Disponível em:
BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. Saúde no Ensino Fundamental.Disponível em:http://redefor.usp.br/cursos/file.php/129/textos/Saude_no_ensino_fundamental.pdf.Acesso em 07/03/2012.