Vivemos imersos num mar de
objetos tecnológicos, porém, sua presença na vida das pessoas não significa que
eles façam parte de sua cultura. Vê-los e usá-los não significa compreender a
ciência e a tecnologia envolvida em sua fabricação e funcionamento.
Introduzir os conhecimentos
tecnológicos nos currículos escolares é fundamental para possibilitar ao aluno
uma formação que lhe permita refletir sobre a tecnologia de modo a compreender
não apenas o seu funcionamento, mas, o seu contexto de produção e as implicações
sociais, econômicas e ambientais de sua utilização.
O ensino da tecnologia numa
perspectiva de construção de competências deve ser estruturado no saber
fazer,isto é, deve abrir espaço para a investigação-ação nas aulas, fazendo
destas um processo contínuo de estudo, comunicação e investigação.
Nesse sentido, ensinar
tecnologia se alicerça mais no método do que no conteúdo. Desafiados por
situações – problema, os alunos poderão refletir, experimentar e agir a partir
dos conhecimentos científicos e tecnológicos. Trata-se de desvendar o conteúdo
da “caixa preta” que representa a tecnologia. Por exemplo, quão intrigante
seria o problema “como uma lombada eletrônica mede a velocidade de um carro?”
ou “de que forma podemos 'enxergar' os órgãos do nosso corpo” ou ainda, “como
recebemos uma chamada em nosso telefone celular?”
Dessa forma os alunos
serão mobilizados a construir competências para a resolução do problema, a
partir de procedimentos de investigação que exijam a sua participação
ativa, como: pesquisa, organização de dados, experimentação, construção de
modelos, entre outros.
O que dizem os documentos
oficiais
A educação tecnológica básica é
uma das diretrizes que a LDB estabelece para orientar o currículo do Ensino
Médio. A lei ainda associa a “compreensão dos fundamentos científicos dos
processos produtivos” com o relacionamento entre teoria e prática em cada
disciplina do currículo. E insiste quando detalha, entre as competências que o
aluno deve demonstrar ao final da educação básica, o “domínio dos princípios
científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna”.
A tecnologia comparece,
portanto, no currículo da educação básica com duas acepções complementares: a)
como educação tecnológica básica; b) como compreensão dos fundamentos científicos
e tecnológicos da produção. A primeira acepção refere-se à alfabetização
tecnológica, que inclui aprender a lidar com computadores, mas vai além.
Alfabetizar-se tecnologicamente é entender as tecnologias da história humana
como elementos da cultura, como parte das práticas sociais, culturais e
produtivas, que por sua vez são inseparáveis dos conhecimentos científicos,
artísticos e linguísticos que as fundamentam. A educação tecnológica básica tem
o sentido de nos preparar para viver e conviver em um mundo no qual a
tecnologia está cada vez mais presente: no qual a tarja magnética, o celular, o
código de barras e muitos recursos digitais se incorporam velozmente à vida das
pessoas, qualquer que seja a sua condição socioeconômica.
A segunda acepção, ou seja, a
compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos da produção faz da
tecnologia a chave para relacionar o currículo ao mundo da produção de bens e
serviços, ou seja, aos processos pelos quais a humanidade – e cada um de nós –
produz os bens e serviços de que necessita para viver. Foi para manter-se fiel
ao espírito da lei que as DCN introduziram a tecnologia em todas as
áreas, tanto das DCN como dos PCN para o Ensino Médio, evitando a existência de
disciplinas “tecnológicas” isoladas e separadas dos conhecimentos que lhe
servem de fundamento.
A tecnologia e o Ensino de
Ciências
As atenções da educação estão hoje basicamente
voltadas para a idéia de cidadania e para a formação de professores com novos
perfis profissionais, mestres em condições de trabalhar com uma visão
interdisciplinar da ciência, própria das múltiplas formas de se conhecer e
intervir na sociedade hoje.
Neste sentido, as propostas mais adequadas para um
ensino de Ciências coerente com tal direcionamento devem favorecer uma aprendizagem
comprometida com as dimensões sociais, políticas e econômicas que permeiam as
relações entre ciência, tecnologia e sociedade. Trata-se, assim, de orientar o
ensino de Ciências para uma reflexão mais crítica acerca dos processos de
produção do conhecimento científico-tecnológico e de suas implicações na
sociedade e na qualidade de vida de cada cidadão. É preciso preparar os
cidadãos para que sejam capazes de participar, de alguma maneira, das decisões
que se tomam nesse campo, já que, em geral, são disposições que, mais cedo ou
mais tarde, terminam por afetar a vida de todos. Essa participação deverá ter
como base o conhecimento científico adquirido na escola e a análise pertinente
das informações recebidas sobre os avanços da ciência e da tecnologia.
O ensino de qualidade que a
sociedade demanda atualmente expressa-se aqui como a possibilidade de o sistema
educacional vir a propor uma prática educativa adequada às necessidades
sociais, políticas, econômicas e culturais da realidade brasileira, que
considere os interesses e as motivações dos alunos e garanta as aprendizagens
essenciais para a formação de cidadãos autônomos, críticos e participativos,
capazes de atuar com competência, dignidade e responsabilidade na sociedade em
que vivem. (PCNs (1997).
Referências
São Paulo. Secretaria de Estado da Educação. Proposta Curricular do
Estado de São Paulo. Disponível em: http://www.educacao.sp.gov.br/. Acesso
em: 20/05/2012
Santos, Paulo Roberto. O
Ensino de Ciências e a Ideia de Cidadania. Disponível em:
http://www.hottopos.com/mirand17/prsantos.htm. Acesso em: 22/05/2012
Souza, Carlos Alberto;
Purificação de Bastos, Fábio da; Peres Angotti, José André. Cultura
Científico-Tecnológica na Educação Básica. Ensaio Pesquisa em Educação
em Ciências, vol. 9, núm. 1, 2007, pp. 1-13. Disponível em: http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/1295/129516644006.pdf. Acesso em: 19/05/2012
SABERES DA TECNOLOGIA NA ESCOLA
Transgênicos
O tema transgênico pode ser bastante interessante, e dos temas
relevantes, quando falamos em alimentação, falamos do ser humano em qualquer
fase de sua vida, portanto acredito ser de grande importância que o aluno
esteja atualizado quanto à informações, bem como ter pensamento e atitude
críticas a frente deste assunto.
Para especificá-lo, poderíamos inicialmente, dar aos alunos noções de
como pensam os que são favoráveis e contrários ao uso dos transgênicos -
através de textos e vídeos, facilmente encontrados. Depois trabalhar os
diversos aspectos de desenvolvimento tecnológico aplicados aos transgênicos e
as culturas transgênicas já realizadas no Brasil - onde estão localizadas,
relevância econômica e ambiental, procurando saber também a visão do agricultor,
parte fundamental do problema.
O professor deveria se mostrar neutro neste momento, já que os alunos,
nesta fase (e em outras), levam muito em conta o que pensamos tendo a tendência
de nos "copiar" neste sentido.
Depois dessa etapa, propor debates dos contra e a favor e o porquê
chegaram a essa conclusão, deixando claro que, é um tema que precisa ainda de
muita pesquisa e esclarecimento e que deve fazer parte de seu presente e futuro
e que o aluno deverá acompanhar os avanços e "certezas" que as
pesquisas e o tempo trarão.
Radiações
O tema "Radiações" tem um grande potencial para o ensino de
Ciências, dentro da perspectiva CTSA. O material didático Projeto Escola e
Cidadania, da Editora do Brasil, em seu módulo "A física ajuda a salvar
vidas" traz uma excelente abordagem sobre o tema, trazendo os conceitos
científicos, a utilização desses conceitos em equipamentos usados na medicina
diagnóstica e em tratamentos de saúde e também considera os males que podem ser
causados pelas radiações, em uma sequência didática que possibilita
aprendizagens significativas.
Esse tema está presente no currículo de Ciências, sendo tratado, de
forma muito simples e contextualizada nas situações de aprendizagem do material
de apoio da Secretaria de Educação de São Paulo - Caderno do Aluno da 8ª
série/9º ano.
O ensino sobre radiações desmitifica a ideia de que todas as
radiações são prejudiciais quando apresenta os seus usos e coloca a luz e as
ondas eletromagnéticas emitidas pelos telefones celulares dentro do mesmo
estudo.
Referências
PINTO, A.C.; LEITE, C.; SILVA, J.A.. A Física Ajuda a Salvar Vidas.
Projeto Escola e Cidadania, São Paulo: Editora do Brasil, 2000.
TAKAHASHI, J.A.; MARTINS, P.F.F.; QUADROS, A.L.. Questões tecnológicas
permeando o ensino de química: o caso dos transgênicos. Química Nova na
Escola, nº 29, agosto de 2008.
EXEMPLO DE ATIVIDADE
A biotecnologia em nosso cotidiano
Público alvo: 8º e 9º ano
Situação problema:
A Biotecnologia influencia cada vez mais a sociedade atual, quer pela
sua utilização na saúde, na produção de alimentos e na proteção do ambiente,
quer por suas implicações econômicas, éticas, sociais que as suas aplicações
acarretam.
O ensino da Biotecnologia se reveste de grande importância e assume um
caráter de urgência face às situações polêmicas discutidas pela sociedade, que
envolve várias das aplicações da Biotecnologia. Fica a certeza de que é
necessário difundir a Biotecnologia nas escolas para, assim, fornecer a base
para formação de alunos mais críticos e formadores de opinião.
Sensibilização:
Vídeo Cidades e Soluções
Especial: Transgênicos
Após assistir o vídeo os alunos
responderão as seguintes questões:
- O que é a biotecnologia?
- De que forma a biotecnologia influencia em sua vida?
- Que relação a entre biotecnologia e os transgênicos?
- O que são os transgênicos?
- Cite alguns benefícios dos transgênicos.
- Cite alguns pontos negativos dos transgênicos.
- De que forma a biotecnologia influencia em sua vida?
- Que relação a entre biotecnologia e os transgênicos?
- O que são os transgênicos?
- Cite alguns benefícios dos transgênicos.
- Cite alguns pontos negativos dos transgênicos.
Produto:
Debate sobre as polêmicas dos
transgênicos: benefícios e os riscos dos transgênicos.
CONCLUSÃO
A tecnologia tem um corpo de conhecimento próprio e não é apenas um
apêndice das Ciências. A distinção entre ciência, ciência aplicada, técnica e
tecnologia são fundamentais para delimitar o campo de estudo de cada uma dessas
áreas e ampliar as possibilidades de definição do quê ensinar em tecnologia. Os
conteúdos de tecnologia não devem ser confundidos simplesmente com o uso de
recursos tecnológicos no ensino e sim, definidos em termos dos conhecimentos
científicos que determinam o funcionamento dos aparatos tecnológicos, suas
formas de produção, seus usos e o contexto histórico em que foram produzidos
com as devidas implicações socioeconômicas e ambientais.
Os conteúdos de tecnologia, assim como os da ciência, precisam de um
contexto significativo, para o que, o ambiente e a sociedade são o cenário
ideal, pois, permitem a investigação de problemas relacionados com a tecnologia
numa perspectiva crítica.
Sobre como ensinar tecnologia, pode-se dizer que o procedimento
metodológico que permite uma melhor abordagem dos seus conteúdos é a
metodologia de projetos, através da qual os alunos serão mobilizados a
construir competências para a resolução de problemas a partir de procedimentos
de investigação que lhes possibilitem refletir, experimentar e agir.
Cabe ao
professor planejar cuidadosamente as situações de aprendizagem ligadas aos
conteúdos de tecnologia, aproveitando ao máximo todas as possibilidades de
inserção desta no currículo de Ciências.
Enfim, a
informática e as tecnologias, em geral, vêm transformando a vida humana ao
possibilitar novas formas de pensar, trabalhar, viver e conviver no mundo
atual. Considerando que estamos cercados pelas tecnologias e pelas mudanças que
elas acarretam no mundo, precisamos pensar em uma escola que forme indivíduos
capazes de lidar com o avanço tecnológico, participando dele e de suas
consequências. Essa capacidade se forja não só por meio do conhecimento das
tecnologias existentes, mas também, e talvez principalmente, pelo contato com
elas e da análise crítica de sua utilização e de suas linguagens.
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