Pesquisar neste blog

sábado, 21 de abril de 2012

UNIVERSO, CIÊNCIA E EMOÇÃO



Quando eu era bem jovem, alguém me disse ou li em algum lugar que o universo era infinito! Passei a imaginar como alguma coisa poderia ser infinita, pois, sempre tive uma mente “exata” a partir da qual pensava que todas as coisas poderiam ser dimensionadas, como eram as coisas aqui da Terra. Infinito para mim era uma sensação!  Ou um artifício da matemática: os números eram infinitos, mas, isso era fácil de compreender, bastava ir colocando zeros até não caber mais no papel e completar com reticências ou representar pelo “oito deitado”, mas, universo infinito? Como poderia alguma coisa nunca ter fim? E se não tinha fim, onde se apoiava? Não, não, se era infinito então abrangia tudo o que existe, até Deus! Ou será que Deus era o universo, afinal aprendi também que Deus não teve princípio e não teria fim ...
Esse conhecimento foi de longe o mais marcante e intrigante da minha vida e  me levou a sentimentos extremos de surpresa, alegria, medo, dúvida, angústia e,  a  tentativa de elaborar uma representação do universo que me levasse a  sua compreensão me dava (e ainda dá) “um nó na cabeça” e um “frio na barriga”, pois, não levou muito tempo para que eu associasse a imensidão do universo à minha pequenez  e, a sua eternidade à minha transitoriedade!
Mais tarde, aprendi que o universo surgiu de um ponto que concentrava toda a matéria (ou toda a energia) que existe hoje! Outro mistério intrigante! Como poderia haver um ponto com tudo dentro, imerso no nada!?! E o que era o nada? O contrário de infinito?
A minha experiência pessoal revela o nível de abstração necessário para a compreensão dos conceitos de astronomia. Ao tratarmos esse tema com nossos alunos será necessário um cuidado no sentido de deslocá-los da Terra em direção ao cosmos, numa perspectiva que transcende a materialidade física de tempo e espaço ( a estrela que vemos hoje pode ter morrido há algum tempo) . Essa compreensão do universo deve ampliar a visão de mundo do aluno, dimensionando a sua condição terrena dentro do universo e dando-lhe possibilidades de melhor entendimento sobre o ambiente terrestre e suas responsabilidades com o planeta.
Enfim, aprender astronomia exige além do conhecimento científico, um componente psíquico que leve a uma ampliação da consciência, a partir da percepção da integração do eu com o universo, ou seja, de senso cosmológico.

Referências:
 MEDEIROS, L. A. L. Cosmoeducação: uma abordagem trandisciplinar no ensino de astronomia. (Dissertação) UFRN: Natal, 2006. pp. 30-37
 MEDEIROS, L. A. L. Cosmoeducação: uma abordagem transdisciplinar no ensino de astronomia. (Dissertação ) UFRN: Natal, 2006. pp. 85-94

Nenhum comentário: