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quarta-feira, 7 de março de 2012

POBREZA e SUJEIRA: UMA CONDIÇÃO INDISSOCIÁVEL ?


A expressão “sou pobre, mas, sou limpinho” alude a uma situação que, infelizmente, reproduz uma realidade brasileira: a da pobreza aliada à sujeira.
No meu entender não se trata de uma generalização como “todo pobre é sujo” ou “todo sujo é pobre”, a legitimação de um estereótipo, mas, de uma indubitável associação entre pobreza e sujeira. Ora, para se manter condições mínimas de higiene é fundamental o acesso à moradia, água, saneamento básico, roupas, a obtenção de produtos de higiene e limpeza. Ainda assim, em que pese o determinante econômico, temos que considerar também o aspecto cultural. Hábitos de higiene são desenvolvidos a partir do aprendizado, da compreensão da importância da higiene para a saúde, do exemplo. A falta de acesso à educação irá contribuir para perpetuar essa situação, alijando pessoas de seu direito à saúde e à cidadania.
Mas, não basta só o acesso à educação. É necessário que essa educação de fato concorra para uma inserção social dos menos favorecidos, dando-lhes ferramentas para promover mudanças significativas em sua vida.
A responsabilidade certamente não é só da escola. Há a necessidade de políticas públicas adequadas que deem conta de alterar essa situação de pobreza em que vive um enorme contingente da nossa população, mas, não podemos nos eximir da parte que nos cabe enquanto educadores. É a escola o lugar onde existe a maior concentração de crianças, adolescentes e jovens, que chegam a ela carregados de conceitos, valores e atitudes trazidos de sua vivência doméstica. Cabe-nos, no caso dos cuidados com a higiene pessoal e saúde, mais do que informar, provocar mudanças de atitudes e valores e, para tanto, é necessário que o espaço escolar seja impregnado de exemplos: limpeza das dependências, merenda escolar adequada, atitudes dos funcionários e professores, além do trabalho sistematizado com as informações, nas aulas, para que estas se transformem em conhecimento a ser incorporado no cotidiano dos alunos.
Enfim, na escola, a relação pobreza - sujeira deve ser encarada como um estado transitório e não como uma condição permanente, como nos aponta Neves, et al (2005): “o Jeca não é assim: está assim”.


Referências:

BARBOZA, Emilio Darlan Almeida e outros.  A importância da educação em saúde na melhoria dos hábitos de higiene e no combate às parasitoses.Disponível em:
BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. Saúde no Ensino Fundamental.Disponível em:http://redefor.usp.br/cursos/file.php/129/textos/Saude_no_ensino_fundamental.pdf.Acesso em 07/03/2012.

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