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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A PRODUÇÃO DE ENERGIA NA TERRA


A Energia está em toda parte
As plantas e os animais utilizam e armazenam no seu organismo a energia dos alimentos. Ao morrerem, são decompostos rapidamente, porém, através de bilhões de anos, muitos seres vivos foram soterrados e se transformaram em combustíveis fósseis como o carvão mineral e o petróleo que dá origem à gasolina, ao querosene e ao óleo diesel, entre outros combustíveis.
Também se pode obter energia diretamente de alguns vegetais como na queima da lenha e do álcool obtido da cana-de-açúcar. Na queima dos combustíveis a energia armazenada transforma-se em calor que em algumas máquinas, como os carros, pode ser transformadas em energia de movimento.
A água represada a certa altura em relação ao solo armazena energia que se transforma em energia de movimento na sua queda. Essa energia pode ser aproveitada para produzir outras formas de energia. A manutenção do volume de água nas represas depende da ação do Sol que, através do aquecimento das águas dos rios, mares e oceanos pelo seu calor, garante o ciclo hidrológico da Terra, que faz a água aquecida e evaporada retornar à superfície através das chuvas.
Existe energia também nos ventos que se formam a partir do deslocamento de massas de ar aquecido pelo Sol. Essa energia poderá ser aproveitada para produção de mais energia!
Benedita Aparecida de Barros
(Texto produzido para fins didáticos)

domingo, 27 de novembro de 2011

CURIOSIDADE E IMAGINAÇÃO



Curiosidade e Imaginação – os caminhos do conhecimento nas Ciências, nas Artes e no Ensino
 Maurício Pietrocola
RESUMO
O texto promove uma reflexão sobre as possibilidades de atração das ciências comparativamente às artes no processo de ensino, partindo do pressuposto que ambas tem potenciais atrativos, não se tratando apenas de preferências individuais, mas, principalmente da forma como ambas são tratadas na escola, sendo necessária uma revisão das práticas metodológicas usadas no ensino de ciências para proporcionar emoções semelhantes às das artes.
Buscando aproximar ciência e arte, o autor discute a dicotomia representação-explicação, sendo que a arte é a representação e a ciência a explicação da mesma realidade (Read, apud Figueiredo, (1988). Entretanto, discute a possibilidade da ciência em representar a realidade quando trata de fenômenos não observáveis, seja pelo aspecto temporal, de distância ou de tamanho e, da arte, embora não conseguir uma explicação aos moldes da ciência, poder gerar certo entendimento, não exatamente ligado à razão, mas, que de alguma forma atinja o intelecto através das emoções.
Quanto à liberdade na produção, esta é mais própria da arte, sendo que cada artista é livre para criar e realizar o seu projeto, enquanto o cientista está sempre ligado ao contexto científico ao qual pertence.
Outro aspecto de aproximação entre ciência e arte se revela a partir de que tanto o artista quanto o cientista partem de situações particulares em seus trabalhos para um sentido mais geral, seja através do apreciador no caso da arte, ou através das leis, princípios ou teorias mais gerais, no caso da ciência, ou seja, atingir um estado de compreensão das coisas para além do imediato está na base da ciência e da arte.
O autor apresenta a linguagem científica, seja a verbal - onde predomina uma série de conceitos complexos e significados particulares ou a matemática – que muitas vezes é apresentada como se antecedesse às idéias, como uma das causas do distanciamento da ciência ao prazer. Nesse sentido, mostrar a ciência como produto da imaginação que leva à criação, como de fato ocorre na atividade científica, pode tornar o ensino e a aprendizagem em ciências muito mais atraentes e prazerosos.
Concluindo, ciência e arte apresentam aspectos em comum, tais como a imaginação e a criação, que são elementos importantes a serem explorados nas aulas de ciências para que os alunos possam reviver a emoção e sentimentos relacionados aos atos de criação.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Resenha do Artigo "Introdução à Estrutura da Matéria"


A transposição didática da Química Moderna numa visão epistemológica a partir de Bachelard.

No artigo Introdução à Estrutura da matéria, de Wagner B. de Almeida, doutor em Química pela Universidade de Manchester e professor adjunto no Departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais, temos uma síntese da abordagem de temas de Química Moderna numa perspectiva de estabelecimento de relações entre as propriedades microscópicas da matéria e as que são percebidas no mundo macroscópico, procurando explicar os aspectos  não explicáveis pela mecânica clássica, evidenciando assim, o que se chama de recorrência histórica na construção do conhecimento científico – a partir do presente, questionar os valores do passado e suas interpretações (Lopes,1996).
A premissa do trabalho parte do obstáculo epistemológico surgido quando a mecânica clássica newtoniana não pode explicar aspectos do comportamento de sistemas como átomos e moléculas, levando à necessidade de uma nova teoria para estudar o comportamento de partículas muito pequenas: a mecânica quântica. Assim, apresenta a mecânica quântica como a construção de uma ordem artificial sobre a natureza, no sentido de se usar a técnica para a construção racional do conhecimento (Lopes, 1996).
O autor parece fundamentar seu trabalho no descontinuísmo da ciência, apontado por Bachelard, a partir da dolorosa ruptura vivenciada pelos cientistas do século XX ao perceberem os erros da modelagem da física clássica para explicar o comportamento de átomos e em particular sua insuficiência em explicar a natureza da luz.
Finalizando, o autor apresenta breve descrição do conteúdo dos cinco capítulos do seu trabalho, destacando o cuidado que  teve em associar os aspectos e conceitos mais importantes da química quântica com o nosso dia-a-dia.
Pelo exposto neste artigo, pode-se perceber o esforço e a atenção do autor em relação ao tema, no sentido de se possibilitar uma transposição didática que possibilite ao estudante superar os obstáculos epistemológicos do conhecimento comum na busca da construção do conhecimento científico.
Referências:
LOPES, Aline Ribeiro Casimiro. Bachelard: O Filósofo da Desilusão.Cad. Cat. Ens. Fís., v.13, n.3: p.248-273,dez.1996. Disponível em : http://redefor.usp.br/cursos/file.php/99/epici/textos/texto5.pdf Acesso em 07/11/2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

VIDA DE GALILEU



Roteiro para teatro adaptado por Paulo Noronha Lisboa Filho e Francisco Carlos Lavarda a partir da tradução para o português por Roberto Schwarz da peça “A Vida de Galileu” (Leben des Galilei) escrita em 1938-1939 por Bertolt Brecht e publicada no volume 06 (pp. 51-170) da obra “Teatro Completo de Bertolt Brecht”, Ed. Paz e Terra, 1991, Rio de Janeiro




http://wwwp.fc.unesp.br/~lavarda/galileu/a_vida_de_galileu_2010_07_08.pdf

Vida de Galileu: eles se recusam a olhar

domingo, 30 de outubro de 2011

COP15


A Conferência das Partes
Por Alessandra, Patricia, Benedita e Angelo
COP15
A COP15  foi a 15ª Conferências das Partes- reunião anual das nações participantes da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima das Nações Unidas (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC), realizada de 7 a 18 de dezembro de 2009, em Copenhague, capital da Dinamarca e tinha por objetivo envolver o mundo em ações concretas para evitar o  aquecimento global, isto é, uma alta da temperatura que vem acontecendo como resultado da ação humana.
Esperava-se que os países se comprometessem a cortar gases-estufa segundo as recomendações científicas do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, explicadas em detalhes ao mundo em 2007 – portanto, nenhuma novidade. Para evitar uma alta da temperatura superior a 2°C neste século, seria preciso que as nações industrializadas cortassem suas emissões de gases-estufa em 25% a 40% até 2020, e em 80% a 95% até 2050. As não industrializadas deveriam adotar ações consistentes para frear suas emissões.
A 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP-15) mobilizou milhões de pessoas em todo o mundo e reuniu 192 países com o objetivo de traçar um rumo mais sustentável para o planeta. Mas em vez de um acordo convincente, a cúpula só foi capaz de conseguir uma carta de intenções. Os países admitem que de fato é bom evitar uma alta da temperatura em 2°C neste século. Em 2015, volta-se ao debate para ver se não é ainda melhor deixar escrito que é sensato tentar impedir uma alta de 1,5°C.

RESULTADOS
A iniciativa americana batizada de Acordo de Copenhague foi a base de um acordo durante a Conferência das Nações Unidas sobre mudança climática, apesar da oposição de vários países.
 Veja abaixo os principais pontos do acordo: 
Status legal: O acordo, fechado entre Estados Unidos, Brasil, China, Índia e África do Sul, não faz referência a um tratado com valor legal e nem prevê um prazo para que o texto seja transformado em um tratado com valor legal, como reivindicavam alguns países em desenvolvimento e ambientalistas.
As 193 nações participando do encontro “tomaram nota” do documento, mas não o aprovaram, o que necessitaria do apoio unânime dos participantes. Ainda não está claro se o documento pode ser considerado um acordo formal da ONU.
Aumento de temperaturas: O texto reconhece a necessidade de limitar o aumento das temperaturas globais a 2ºC acima dos níveis pré-industriais.
A linguagem no texto revela que 2ºC não é uma meta formal, mas que o grupo de países "reconhece a posição científica" de que a alta nas temperaturas deve ficar abaixo deste número.
Ajuda financeira: O acordo promete US$ 30 bilhões de ajuda para países em desenvolvimento nos próximos três anos. O texto também prevê o objetivo de oferecer US$ 100 bilhões por ano até 2020 para ajudar países pobres a lidar com os impactos da mudança climática.
O acordo diz que os países ricos devem juntos chegar aos US$ 100 bilhões e que o dinheiro deve vir de fontes variadas: "públicas e privadas, bilaterais e multilaterais, incluindo fontes alternativas de finanças".
 Um fundo verde para o clima também será estabelecido pelo acordo. Ele vai financiar projetos em países em desenvolvimento relacionados a ações de mitigação (redução de emissões), adaptação, "construção de capacidade" e transferência de tecnologia.
 Transparência nas emissões: As promessas dos países ricos passarão por um exame detalhado segundo a Convenção sobre Mudança Climática das Nações Unidas (UNFCCC, na sigla em inglês).
Pelo acordo, países em desenvolvimento vão submeter propostas para cortar emissões segundo um método "que garanta que a soberania nacional seja respeitada".
 Revisão de avanços:  A implementação do acordo de Copenhague será revista em 2015, cerca de um ano e meio após a próxima avaliação científica do clima global pelo IPCC, o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas.
 No entanto, se em 2015 os participantes quiserem adotar uma nova meta, mais baixa, para o aumento da temperatura global, por exemplo 1,5ºC em vez de 2ºC, já seria tarde demais.
 A opinião de participantes
O acordo final, costurado de última hora pelos líderes mundiais, foi considerado o "pior da história" , segundo o delegado do Sudão, Lumumba Stanislas Dia-Ping, cujo país preside o G77, que reúne os 130 países em desenvolvimento. 
Antes do anúncio do acordo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confessou sua frustração em relação às negociações e garantiu que o Brasil está disposto a fazer sacrifícios para financiar os países pobres. 
"Vou dizer isso com franqueza e em público, o que não disse ainda em meu próprio país, que sequer disse a minha equipe aqui, que não foi apresentado nem diante de meu Congresso. Se for necessário fazer mais sacrifícios, o Brasil está disposto a colocar dinheiro para ajudar os outros países ".
 No último dia da COP-15, 18 de dezembro de 2009, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a barganha entre os países ricos, os responsabilizando pelo preço mais alto na reparação da poluição causada pelas nações que se industrializaram mais cedo. O presidente brasileiro, sob aplausos, afirmou: “Quando falamos em dinheiro, não podemos pensar em favor ou que estamos dando uma esmola. Os ricos têm que saber que estão pagando pelas emissões das últimas duas décadas. Os países em desenvolvimento não querem discutir apenas o meio ambiente, mas querem também falar de desenvolvimento e oportunidade”.
Lula condicionou a contribuição a um sucesso concreto em Copenhague: "Estamos dispostos a participar nos mecanismos financeiros se alcançarmos um acordo sobre uma proposta final nesta conferência".
 Mas o "acordo" que saiu é uma carta de intenções, com conteúdo mínimo, e mesmo assim sem consenso. 

 CONCLUSÃO
A Conferência do Clima de Copenhague valeu pela mobilização e pelo fato de ter colocado, mais uma vez, o assunto da sustentabilidade e da preservação do meio ambiente na prioridade da agenda mundial. Cabe destacar que os grandes vitoriosos deste processo foram as ONGs e a opinião pública global e local. 
Mas do ponto de vista de ações práticas e imediatas para enfrentar a urgência dos problemas climáticos do Planeta, a COP (“Conference of the Parties”)/15 ficou muito aquém do esperado. Não se conseguiu desbloquear a questão do MRV (“mensurável, reportável e verificável”), nem estabelecer o montante de recursos financeiros necessários ao longo da próxima década e não se garantiu medidas claras de mitigação e de adaptação.
Em muitos aspectos Copenhague ficou mais para "Flopenhague" (fiasco) do que para “Hopenhague” (esperança).
 Evidentemente, reunir delegações de mais de 190 países e chegar a uma acordo que agrade a todos é uma tarefa muito difícil. O lado positivo da Conferência de Copenhague é o reconhecimento de que “a mudança climática é o maior desafio do nosso tempo” e que é necessário fazer “profundos cortes” na emissão global dos gases do efeito estufa. Ficou claro que as divergências nacionais e entre os diversos blocos é maior do que a consciência ambiental. Há uma oposição de interesses entre os países ricos, entre os próprios países pobres, entre os países produtores de petróleo e os consumidores de energias fósseis e entre os ricos e os pobres, numa nova versão do conflito Norte versus Sul.
 Contudo não podemos perder de vista todo o processo de preparação e os avanços que aconteceram no posicionamento dos países. O Brasil, especialmente após a pré-candidatura presidencial de Marina Silva, apresentou metas de redução das emissões de gases de efeito estufa de 36,1% a 38,9%, tendo como base a mudança no sistema da agricultura; mudança no sistema siderúrgico; mudança e aprimoramento da matriz energética e o desmatamento da Amazônia e do cerrado.
 Também os Estados Unidos apresentaram metas de redução das emissões de gases de efeito estufa (mesmo que muito limitadas) e o país assumiu o compromisso de ajuda financeira às nações mais pobres. Mesmo sendo pouco, não deixa de ser um avanço em relação ao governo Bush. O Congresso dos EUA está elaborando uma lei sobre o assunto.
 Mas talvez uma das contribuições mais significativas venha da China que é o país com maior população do mundo e a economia que mais cresce e mais polui o Planeta. O governo chinês definiu metas voluntárias para ações de controle da emissão de gases de efeito estufa e decidiu que, até 2020, a emissão de dióxido de carbono por unidade do PIB será reduzida entre 40% e 45% em relação a 2005, o consumo da energia não fóssil corresponderá a 15% do consumo primário da energia e a extensão e a reserva de florestas aumentarão respectivamente em 40 milhões de hectares e 1,3 bilhões de metros cúbicos em relação a 2005.
 Por fim, já no sábado, dia 19/12/2009, a COP de Copenhague aprovou, sem unanimidade, um acordo liliputiano (muito pequeno). Segundo o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, o acordo mesmo que insuficiente “é uma etapa essencial para um futuro pacto do clima”. O protocolo de Kyoto continua válido, mas daqui para frente, somente com ampla mobilização dos formadores da opinião pública mundial os governos vão se ver forçados a superar os impasses atuais e tomar as decisões necessárias até a próxima conferência sobre o clima, COP/16, que será realizada no México, no final de 2010.

Saiba mais sobre as Conferências das Partes
Órgão supremo da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (do inglês UNFCC), responsável pela sua implementação e que incluí os países que ratificaram ou aderiram à esta Convenção. A COP reúne-se anualmente e o primeiro período de sessões da Conferência das Partes (COP–1) ocorreu em Berlim em 1995. Já a COP -2, realizou-se em Genebra (1996), a COP–3 em Quioto (1997) – quando foi criado o Protocolo de Quioto (ou Kyoto) -, COP–4 em Buenos Aires (1998) e a COP–5 em Bonn (1999). A primeira parte da COP–6 foi celebrada em Haya (2000), e a parte 2 em Bonn (2001). A COP–7, ocorrida em 2001, foi realizada em Marrakech, a COP-8 em Nova Delhi (2002), COP-9 em Milão (2003), COP-10 em Buenos Aires (2004), COP 11 em Montreal (2005), COP 12 em Nairobi (2006), COP 13 em Bali (2007) e Conferência de Poznan (COP-14) realizada em 2008, na Polônia.
Reunião das Partes (Protocolo de Quioto) (MOP) - Órgão supremo do Protocolo de Quioto. Apesar de acontecer simultaneamente à Conferência das Partes da UNFCC (COP), somente os países signatários deste Protocolo têm direito a participar da MOP, bem como deliberar e tomar decisões relativas ao mesmo. Montreal sediou a MOP-1, em 2005. A MOP – 2 aconteceu em Nairobi (2006) e a MOP-3 em Bali (2007).
Entre a  ECO-92, realizada no Rio de Janeiro, e a COP-15, as diferenças são o acesso a dados mais tangíveis e um maior comprometimento político e social na sociedade global de forma mais profunda nos dias atuais.
Desde a COP-13, realizada na Indonésia, em 2007, havia um comprometimento de realizar todas as diferenças e questões ambientais na recente COP-15, porém não houve consenso sobre as metas e a ausência das mesmas entre os países.
A COP-1 foi realizada em Berlim, em 1995. Na COP-1 foram definidos compromissos legais de redução de emissões que foram inseridos no Protocolo de Kyoto.
A COP-15 deixou uma imagem de desastre e frustração em virtude da incapacidade dos países ricos de assumirem compromissos sobre a redução das emissões, principalmente da parte dos EUA e China.
O impasse pode permitir a elevação da temperatura da Terra em até 3ºC, condenando a humanidade a fome, doença e mortes. Além da elevação do nível dos oceanos e do aumento do contingente de refugiados ambientais.


Referências
http://www.ecodesenvolvimento.org.br/cop15#ixzz1cBqEoj4Z
 http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1421535-17816,00-ACORDO+DE+COPENHAGUE+NAO+TEM+NEM+DUAS+PAGINAS+E+MEIA.html
http://bbc.co.uk
http://www.opensadorselvagem.org
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u668669.shtml
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/19/copenhague-foi-desastre-segundo-ecologistas-251413.asp
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/
 http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1421126-17816,00-CUPULA+DE+COPENHAGUE+ACABA+COM+TEXTO+MINIMO+E+AINDA+ASSIM+SEM+UNANIMIDADE.html
http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/content/conferencia-das-partes-copmop
(Texto colaborativo elaborado para o Curso de Especialização em Ensino de Ciências – Redefor USP)




domingo, 23 de outubro de 2011

Análise filosófica - O Nome da Rosa

O NOME DA ROSA


O filme “O nome da Rosa”, baseado no livro de Umberto Eco, conta uma estória que se passa na última semana de novembro de 1327 num mosteiro beneditino construído no século XIII nas montanhas italianas e tem como trama a investigação da morte de sete monges em sete dias. O título escolhido: “o nome da Rosa” era uma expressão usada na Idade Média que servia para denotar o infinito poder das palavras e este é o ponto principal da estória, pois a igreja tenta a todo custo “apagar” as palavras de Aristóteles, um filósofo extremamente conceituado pelo clero pelo fato da igreja ter assumido o sistema cosmológico do grego, que colocava que o universo era composto de duas regiões: o céu e a terra. Teoria esta que se afinava com o Gênesis bíblico. Aristóteles passou a ser figura respeitável do clero quando São Thomas de Aquino, uma expoente figura da teologia cristã inseriu no cristianismo a ciência e a filosofia de Aristóteles, passando inclusive a ser chamado por muitos do clero como “O Filósofo”, portanto, contrariar Aristóteles era o mesmo que contrariar as sagradas escrituras. Aristóteles que era até então “usado” pela igreja passa a ser um “problema” quando é descoberto o segundo volume de uma obra sua sobre a Poética que tratava da comédia. Vale a pena ressaltar que a existência desta obra não é comprovada até hoje por um destes dois motivos: ou nunca foi escrita ou então foi queimada no incêndio da Biblioteca de Alexandria. O suposto segundo volume da obra de Aristóteles pregava a natureza boa e cognitiva do riso, fato que era inaceitável para a igreja na Idade Média que ligava o riso ao diabo, e a obra sobre a comédia dizia ser o riso e a sátira remédios milagrosos e que a representação exagerada dos defeitos, vícios e fraquezas purificava as paixões, como acontece num processo de catarse. Muito interessante é o uso do exagero dos defeitos, do feio, dos vícios pelas personagens do filme, não ficando nenhum dos 7 pecados capitais de fora desta exposição exagerada (a gula, a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, o orgulho e até a preguiça através da vida contemplativa e também sustentada dos monges). Porém a igreja temia que o riso fizesse o povo deixar de temer o diabo e além da questão ideológica ser ferida também seria diminuído o poder da igreja, pois esta era a “única” defensora dos mortais pecadores diante das artimanhas do demônio e da fúria implacável de Deus. Diante deste cenário, para desvendar os assassinatos dos monges é chamado o ex-inquisidor William de Baskervile, que na estória representa a “razão filosófica” e a “ciência” e ele é apresentado como um homem de idéias e procedimentos avançados para a época, pois traz consigo dois instrumentos: o astrolábio (instrumento usado pela astronomia que tem como uma de suas utilizações a redução dos erros acidentais por parte do observador, o que nos permite aqui um significado simbólico para a aparição deste na estória) e um quadrante (outro instrumento da astronomia e que é a quarta parte de um círculo e que buscando uma analogia representa as 2 teorias do cosmos: o círculo deitado é a teoria de que a terra é plana como pregava a igreja, e o quadrante ao ser utilizado era o círculo em pé movimentando-se pelas estrelas que era a teoria heliocêntrica preconizada por Galileu e Giordano Bruno, sendo este último queimado na fogueira pela Inquisição). Estes instrumentos eram usados pelos mouros e era desconhecido pela maioria dos cristãos. Outro objeto de William de Baskervile que nos permite uma analogia eram suas lentes de leitura que pode nos levar a imagem do homem que procura enxergar melhor o conhecimento e assim era William: um buscador da verdade através da razão. William é uma figura criteriosamente escrita por Umberto Eco: é franciscano (que na época conflitavam com os beneditinos), é científico (e assim opõe-se a crença cega religiosa), é justo (e assim não pode ser peça de manipulação no jogo de interesses da igreja), porém a maior representação de William é a “razão”, fazendo dele um espelho de Descartes que é o pai do racionalismo. Sem a intenção de resumir a estória e sim a de refletir em seu contexto filosófico, vejo na forma utilizada para se cometer os assassinatos uma rica linguagem simbólica, pois o livro de Aristóteles, que representa o “conhecimento” teve suas páginas envenenadas e metaforicamente podemos visualizar que a fé cega (no caso a igreja) colocava como “sina” que todo aquele que busca o conhecimento morre nesta busca, ou seja, aqui temos uma nova representação de Adão e Eva que foram expulsos do paraíso ao comerem o fruto do conhecimento. A igreja criou a Inquisição para assim ter o papel de Deus em suas mãos e através de suas fogueiras poder expulsar todo aquele que não compartilhasse da idéia do paraíso carrancudo da igreja católica da Idade Média. Duas falas do filme que penso ser interessante citar, ambas ditas por William de Baskerville ao seu aprendiz Adson:
“A única prova que vejo do demônio é o desejo de todos em vê-lo atuar”
Frase que retrata a posição de que o homem prefere criar e manter um erro para manter para si a aparência de que está certo. Sintetizando: a arrogância e a hipocrisia são criações humanas e não divinas.
A outra frase dita por William é:
“A dúvida é inimiga da fé”
Frase que sintetiza a filosofia, pois o propósito do filósofo é o de buscar o saber e não simplesmente crer, por isso a filosofia é a arte do questionar.
Para finalizar fica um questionamento: Por que Adson não ficou com a sua mulher amada? E como desfecho fica uma citação: “O coração tem razões que a razão desconhece”.

Paulo Rogério da Motta - http://www.euniverso.com.br/Filmes/O_Nome_da_rosa.htm

Clipe O Nome da Rosa